Algumas razões para cair de amores pelos protótipos navegáveis

Se você, assim como eu, nasceu na década de 70, provavelmente já teve contato com uma máquina de escrever. Este, que foi o principal instrumento de trabalho dos profissionais de comunicação durante muito tempo, forçava os usuários a escrever de forma doentiamente planejada, na maioria das vezes pressionados pelo medo de errar. Realocar uma frase em outro parágrafo significava ter que bater novamente toda uma página – 1.400 toques a mais (considerando uma lauda de 20 linhas com 70 toques cada) e cerca de 10 minutos perdidos (no caso de um datilógrafo mediano). O editor de texto, com os recursos de apagar, copiar e colar causou uma verdadeira revolução na vida de milhões de pessoas, sobretudo de escritores e de jornalistas.

Vejo uma revolução bem parecida para os arquitetos de informação com a chegada dos programas que geram protótipos (e/ou wireframes) navegáveis em HTML. Nessa lista incluo o Axure, o iRise e o OmniGraffle, entre outros que listarei adiante. Não é mais necessário dedicar tempo e esforços para organizar slides, fazer ajustes em um grande volume de telas ou até mesmo publicar centenas de comentários sobre o fluxo de navegação. A preocupação agora é com o que realmente interessa – o design centrado no usuário.

Ok, o assunto não é novo. Mas como é cada vez mais recorrente alguém me perguntar sobre as vantagens deste tipo de protótipo vou pontuar algumas delas. Mais do que vantagens, são verdadeiras razões para cair de amores por estes softwares:

Experiência de navegação – Este item vem no topo da lista porque acredito que é aqui onde está o maior ganho do protótipo em HTML. Por ser todo navegável ele simula realmente o que acontece a cada clique, resultado que víamos somente depois que o projeto já tinha passado pelo design e pela interface.

Dimensionamento do projeto – Fica bem mais fácil entender quais são as telas-tipo (ou templates) com o uso dessas ferramentas. No Axure, por exemplo, é possível acessar com facilidade a lista de páginas e até mesmo gerar um mapa (também navegável) a partir dela.

Componentização – O bom arquiteto tira proveito disso. Não é preciso desenhar novamente um fluxo de “enviar por e-mail” ou de “cadastro” a cada projeto que eles aparecem na matriz de escopo. Os softwares para desenvolvimento de wireframes permitem a criação de verdadeiras bibliotecas de padrões, que podem ser reaproveitadas com o mínimo de ajustes em outros trabalhos. Isso também dá uma grande agilidade na execução do protótipo.

Documentos mais enxutos (ou o fim do trabalho escravo) – Em um passado não muito distante cheguei a criar wireframes em PowerPoint com mais de 2.000 slides para simular fluxos e cenários diversos – uma documentação burra, pesada e de eficácia totalmente discutível que ainda me causava algumas lesões por esforços repetitivos.

E o cliente? – Pelas minhas estatísticas esta é a pergunta número 1. Devo ressaltar que só tenho tido resultados positivos. Os clientes não só estão compreendendo melhor a proposta como também estão aprovando mais rapidamente os trabalhos, com solicitações de ajustes cada vez menores. Alguns clientes inclusive já pediram (e pagaram!) para que documentações feitas inicialmente em PowerPoint fossem convertidas para HTML.

Fácil aprendizado – Quando a diretoria da empresa em que trabalho autorizou a compra do Axure ficamos com receio de demorar a aprender o software. Esse medo foi dissipado já no primeiro dia de uso da ferramenta – medo seria ter que voltar a usar o PowerPoint. O suporte do Axure, por exemplo, é muito bom: no site da empresa há tutoriais e um blog que realmente convida o usuário a compartilhar críticas e sugestões. Muitas melhorias já foram feitas partir delas.

Designers e programadores menos irritados – Abrir um wireframe em Visio ou PowerPoint era, para os desenvolvedores, uma experiência semelhante a de ler “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, em mandarim. Além de chato, muitas vezes o documento gerava uma série de dúvidas que simplesmente travavam o trabalho, a maioria delas referente ao fluxo de navegação. Por não conter libraries, os documentos em Visio e Powerpoint também traziam erros de consistência e muitas páginas escapavam da revisão, aumentando a incidência de erros. Para os programadores, um grande recurso destes programas é a geração da especificação técnica.

Reaproveitamento de código – Aqui vale a pena fazer um alerta: protótipo é protótipo, código é outra coisa. Não encare este tipo de documento como um avanço na etapa do desenvolvimento. Os recursos de programação dessas ferramentas são limitados e geram códigos feios, sujos e gigantes, para não ser mais explícita.

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